Aaron Carlisle é um praticante de Parkour que mora na cidade de Fayetteville, EUA. Ele fazia parte do Parkour North Carolina (mesmo grupo do Duncan Germain, que fez o Projeto Pilgrimage) e veio visitar o Brasil alguns anos atrás. Tudo começou quando Edi (um grande amigo meu) postou um comentário num vídeo de Aaron no Youtube. A partir daí, todos nós nos tornamos bons amigos e Aaron um apaixonado pelo nordeste. Ele colocou na cabeça que queria conhecer o Ibyanga pessoalmente e então veio passar 18 dias por aqui, viajando com a gente pra cima e pra baixo e compartilhando muitas experiências bacanas (pra você ter ideia, na época ele trabalhava no exército americano costurando paraquedas e o teste para ver se o trabalho dele estava bem feito era ele quem tinha que fazer o salto-teste com o paraquedas reconsertado).

O que segue abaixo é a tradução de uma postagem bastante interessante publicada por ele recentemente em seu Facebook.

“Uma pequena reflexão sobre progressão no Parkour: muitas pessoas assumem que repetição vai fazer de você melhor ou que talvez o tempo é quem seja responsável por essa melhora. Eu acredito que o progresso não vem de nenhum dos dois. Progressão tem a ver com esforço mental e, em muitos casos, é necessário ter conhecimento técnico e confiança para isso. 100 precisões não irão fazer com que sua precisão fique melhor a não ser que cada precisão seja corrigida para se tornar uma precisão melhor. Essa é a parte técnica. A parte da confiança são os desafios. Se você constantemente faz os mesmos movimentos e as mesmas corridas com os mesmos níveis de dificuldade, você nunca irá atingir o seu potencial pleno. Em muitos casos, eu acredito que a pessoa é até capaz de se movimentar melhor do que ela já faz, o que falta é somente confiança para ela começar a fazer isso. Através da imposição de desafios a si mesmo (não somente com movimentos) você irá construir essa confiança e começar a desenvolver e expandir o seu nível de habilidade. Parkour não é algo que te obriga a se exceder ou então ir pra casa. Ele é técnico e algo que necessita tanto de esforço mental quanto de físico.”

Achei bastante interessante essa reflexão, afinal, do que adianta repetir 100 vezes a mesma movimentação se não houver análise crítica para avaliarmos se estamos progredindo em algo ou consertando nossas falhas e limitações? Se você insiste em fazer 100 precisões de forma displicente e sem controle, você apenas esta assimilando uma técnica prejudicial ao seu corpo e sua movimentação. Isso não é melhora.

No seu próximo treino, tenta pensar um pouco nisso: Não somente realizar uma série de movimentos (como se fosse uma obrigação do treino), mas sim, tentar melhorar e lapidar o seu movimento a cada nova tentativa. Tenho certeza que você irá se agradecer mais tarde.

Aaron, we miss you!