O Brasil está repleto de fantásticos praticantes. Pessoas que ajudaram a construir a base de tudo o que conhecemos hoje. Personagens que muitas vezes não ouvimos falar tanto, mas que estão fazendo seu treino, dando suas aulas e continuando o desenvolvimento que começaram anos atrás. Este é o primeiro post do que tem a pretenção de ser uma longa série, apresentando para os mais novos pessoas que foram cruciais para o desenvolvimento do Parkour em nosso país.

Começamos a série com ninguém menos que Pedro Santiago, ou simplesmente Santigas, como é conhecido pela comunidade do Parkour. Pedro é conhecido por possuir uma base muito sólida e ser um praticante extremamente forte. Membro da Parkour Generations Brasil, Santigas passou uma longa temporada na Inglaterra recebendo suas certificações da Parkour Generations, e na França, onde treinava diretamente com os fundadores da Art du Déplacement, os conhecidos Yamakasi.

A entrevista vem como um gancho para disseminar diferentes reflexões sobre o Parkour, não tendo intenção de ser longa ou mesmo profunda. O objetivo é que sua simplicidade leve uma palavra positiva para todos o maior número de praticantes possível.

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Todos temos um treino inesquecível na memória, qual é o treino que você nunca mais esqueceu?
Acho que tive muitos treinos desses inesquecíveis, de vários tipos diferentes. Poderia destacar um treino que fiz quando morava em Paris em 2011, com Chau Belle e alguns outros Yamakasi. Foi um treino que me levou a um limite fisico o qual jamais havia chegado. Me lembro que ao final do treino, pequenos saltos pareciam coisas absurdamente difíceis de serem realizadas devido a exaustão do corpo. Porém foi um momento onde aprendi muito sobre minhas capacidades e motivações dentro da pratica, uma verdadeira lição pra vida.

Com tanto tempo de estrada você deve ter notado mudanças em você, que não tenham sido somente físicas. Poderia de destacar alguma?
Acho que me tornei uma pessoa muito mais insistente em tudo que me proponho a fazer. As vezes quando decido aprender algo novo, mesmo que eu não leve tanto jeito pra coisa, de alguma forma sei que se eu continuar praticando a tendência é melhorar, e que talvez algum dia eu chegue a um nível de aprendizado em que jamais imaginei que seria capaz de chegar, assim como aconteceu no Parkour. Isso é muito bom, pois em meio a esse mundo em que o imediatismo prevalece, percebi que com um pouco de paciência e dedicação podemos alcançar bons resultados, mesmo que demore um pouco.

O que Parkour ajudou a construir em você? E ele trouxe algo ruim também?
O Parkour me ajudou principalmente no desenvolvimento da minha auto-confiança como pessoa, como diriam alguns, a “confiar no meu próprio taco”.

De ruim, acho que me tornei uma pessoa muito imersa na prática e rígido comigo mesmo. Com o tempo percebi que isso estava me impedindo de aproveitar outros lados da vida, um desequilíbrio. Até hoje preciso estar sempre atento a isso, para não acabar pensando somente em treinar e estar bem no Parkour, mas também valorizar outras coisas, como sair de vez em quando para o bar com os amigos, para tomar um chopp gelado, ou mesmo separar mais tempo para estar junto da esposa, amigos e família.

O que você acha que nenhum praticante faz, mas deveria ser feito?
Ter paciência para evoluir. Hoje percebo uma pressa por parte dos praticantes mais novos em realizar movimentos mais ousados. Tem sido raro eu encontrar entre esses, os que se preocupam em fortalecer o corpo progressivamente, construindo realmente uma base sólida e duradoura no Parkour.

Qual seu movimento preferido e por que?
Sempre curti subir muros, principalmente aqueles mais altos. Acho que gosto por causa da sensação de conquista que me trás quando estou DECIMADOMURO e olho pra baixo, me dando conta daquilo que acabei de realizar.

Qual a lição mais valiosa que você tirou do Parkour?
Que é preciso aproveitar cada momento com muita alegria e vontade de evoluir como pessoa. E mais que isso, É preciso fazer as coisas com amor, para que sejam verdadeiras e duradouras.

Se você tivesse um espaço liso, sem nenhum obstáculo, como você treinaria?
Acho que seria uma boa situação pra eu tentar ficar absurdamente bom na parada de mão, ou quem sabe, eu me tornaria tão rápido quanto um guepardo, de tanto treinar sprints.

Você tem algum arrependimento no Parkour? Algo que não faria novamente?
Logo que comecei a treinar Parkour, passei mais ou menos um mês tentando realizar movimentos que evidentemente eu não estava nem um pouco preparado, tanto mentalmente quanto fisicamente. Uma idiotice total que eu não repetiria.

Tem alguma mensagem que queira deixar?
Treine pesado e aterrize de leve. Mas se algum dia for para treinar de leve e aterrizar um pouco mais pesado, que seja para se tornar alguém melhor para si mesmo e para as pessoas ao seu redor.

Confira o canal do Santigas no Youtube e saiba um pouco mais sobre seu trabalho

 

 

Se existe algum praticante que você gostaria de ver entrevistado pelo DCM, deixe o nome e os motivos nos comentários. Queremos que ideias como as do Pedro se espalhem e alcancem aqueles que estão chegando agora, sem entender muito bem para onde seguir.