Esse texto não é meu. Ele foi resgatado do Facebook para que o tempo não o deixe ir embora. Espero que aqui ele fique eternizado e possa servir de inspiração, reflexão e apoio para antigos, atuais e futuros praticantes. Ele foi escrito por Daniel Ribeiro, um grande amigo do Parkour Salvador e membro do grupo Gaman.

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De certa forma eu sempre pensei no praticante de Parkour como um guerreiro. Alguém que busca encontrar seu caminho, suas verdades, seus valores. Alguém que busca se exilar do mundo trilhando um caminho novo em direção ao desconhecido. Em direção de si próprio.

Desde o principio da minha caminhada, várias dúvidas recorrentes no Parkour me assolaram. Não as citarei neste momento pois quero focar apenas em uma: A força x técnica. Para minha pouca experiência (e pouco contato com os mais experientes dentro da prática), buscar entender que a técnica e a força eram duas cordas entrelaçadas e que, separadas, partiriam-se com o menor puxão, porém que juntas eram uma firme forma de manter-se bem e seguro, era de fato complicado.

Só por agora, anos depois, pude mensurar isso e buscar formas de entrelaçar a força e a técnica. Ainda peco exagerando em uma e sendo desleixado com outra. Creio que não há segurança no Parkour se você deixar uma de lado e se dedicar exclusivamente a outra. Ou você vai se tornar um ogro de forte (e pesado como um elefante) ou irá ser leve como um beija-flor e tão fraco quanto um. Creio que a balança deva sempre se manter equilibrada. Isso vai depender somente de você. Se você já é forte como um touro, preocupe-se mais com sua técnica. Se a fraqueza te assombrar, perca suas horas lutando contra ela; mesmo que você não goste de gastar seu tempo fazendo flexões, barras, agachamentos ou corridas.

Imagino meu corpo como a armadura de um guerreiro: ela deve ser capaz de aguentar os piores impactos, as lâminas, as pancadas de bastões, os socos, chutes e etc. Assim deve ser meu corpo: aguentar os impactos dos saltos, dos movimentos e das quedas. Uma armadura fraca não perdura por muito tempo, se fragiliza e se corrompe em pouco tempo; deixando quem a usa desprotegido e atingível. Fortaleça sua armadura.

A força é a base para a técnica. No meio marcial, um atleta técnico vence facilmente de alguém puramente forte, no entanto nunca vencerá um atleta forte e técnico. A força e a técnica, sós, são em si suas próprias inimigas, mas juntas são uma poderosa arma.

Imagine um rio. Pense na água como a técnica e a base do rio como a força. A força permite que a técnica flua por ela de forma que possa traçar seu caminho, mas se a técnica sair dessa base ela vai causar destruição. Um conselho: Permaneça na base.

Saltos grandes não devem ser feitos por corpos fracos.