Com os avanços tecnológicos, o advento da internet, a globalização, o mundo ficou muito mais rápido, as informações hoje são veiculadas em tempo real, qualquer coisa pode virar notícia em uma fração de segundo. Vemos cada vez mais virais aparecendo na mesma velocidade que desaparecem e, sem dúvida, o Parkour é fruto disso. Sem a internet, sem o YouTube, ele teria demorado muito mais tempo para se tornar uma “arte pop”, mas o Parkour é tão fruto desse momento quanto a Lady Gaga ou qualquer outro artista ou movimento contemporâneo em seus quinze minutos de fama.

O Parkour está vivendo seu momento na frente dos holofotes (verdade que quase em decadência). Fato é que esse momento vem durando bem mais que quinze minutos. Desde que surgiram os primeiros filmes com a prática, do mais underground até o mais pop, o que é o caso do 13º Distrito e sua sequência que caíram no gosto popular e sabidamente fez com que muitos jovens iniciassem a pratica (afinal, muitos tracers hoje conhecidos e respeitados começaram após assistir a um desses filmes). Não podemos esquecer o destaque importante que o Parkour recebeu da rainha do pop (Madona) ao fazer um clipe com um dos maiores ícones da prática, Sebatien Foucan, o que acabou por abrir um leque de visibilidade para o mundo todo.

Não são poucas as inserções do Parkour nas artes cênicas, desde o cinema (com o 13º Distrito, 13º Distrito: Ultimato, Yamakasi: Os Samurais dos Tempos Modernos, Yamakasi: Filhos Do Vento, 007: Cassino Royale) e televisão (com os seriados, The Phantom e The Misfits,) ao teatro, dança e circo.

A espetacularização dessa arte logo se tornou pública e quando falo de espetacularização falo de Parkour nu e cru. Existem muitos artistas interessados nas possibilidades cênicas dessa prática (inclusive a pessoa que vos fala).

Nas artes cênicas existe uma busca incansável pelo novo, ou pela nova forma de se fazer o velho, e nesse contexto o Parkour é uma prática corporal extremamente artística, que possui variadas possibilidades, desde ser usada como meio para um treinamento específico de um ator ou dançarino, até ser usada como fim de uma performance dos mesmos.

A partir do momento em que enxergamos o Parkour como arte ele muda completamente de forma, (aqui cabe uma ressalva, qualquer coisa pode ser entendida como arte, desde que seja tratada como tal, lembremo-nos da privada de Duchamp). Pois, não necessariamente os atores, dançarinos, etc… ARTISTAS, o utilizarão para a vida, eles podem somente ser treinados para um fim específico, sem necessariamente “aprender” os conceitos filosóficos da prática em si.

É importante lembrar que, geralmente, antes de se fazer um filme, uma peça, um clipe, etc… Por via de regra, se faz uma pesquisa “aprofundada” de todos os elementos do mesmo. Então, raramente veremos o Parkour simplesmente como um apelo estético, mesmo que pareça isso à primeira vista. Obviamente que sabemos que existem pessoas que irão investir no Parkour porque sabem que tudo o que é pop gera público e conseqüentemente gera dinheiro (só tracer não ganha dinheiro com o Parkour, mas isso é assunto para outro texto).


Nem sempre (ou não na maioria das vezes) quando vemos o Parkour em algum filme, clipe, peça, ou seja lá o que for, ele vem com uma legenda dizendo “isso aqui é, isso aqui não é”. A arte busca a melhor forma de fazer, a melhor forma de mostrar e isso tende a um hibridismo muito forte, e, possivelmente, só as pessoas que já conhecem discernirão: “isso é Parkour, isso não é Parkour”. Então, é natural que um leigo, ao assistir a “13º Distrito”, diga que Jackie Chan já fazia isso, porque ele não entende o tecnicismo da pratica, e é bom que ele não entenda. Ele precisa ser encantado e tocado, o resto é bônus. Assim como se você não for um médico, dificilmente você vai entender a techné de um seriado que fala do dia a dia de médicos e seus pacientes. Obviamente que em alguns momentos podem existir erros grotescos, que nos fazem querer matar o diretor, pois nem sempre as pesquisas são bem feitas e muita coisa pode ser distorcida.

Pessoalmente, vejo com muito bons olhos a forma como a prática vem se tornando presente em diferentes mídias, é uma possibilidade de difundi-la e torná-la respeitada. Seria uma incoerência dizer que filmes como “13º Distrito”, jogos como Mirror’s Edge, clipes como o Jump da Madona, espetáculos como os do Cirque Du Soleil não contribuíram para o crescimento da prática, melhorando também a imagem dos praticantes. Se somos fruto do meio, que o meio continue dando bons frutos.