O Parkour Brasileiro perdeu nesse final de semana um ícone. Daniel Tavares era um dos praticantes mais queridos de Teresina e também um dos caras mais responsáveis com o desenvolvimento do Parkour por essas bandas. Inclusive, ele foi um dos organizadores do último Encontro Nordestino de Parkour (o que me rendeu algumas várias conversas por telefone e que sempre ficava claro o quanto ele queria que esse encontro fosse especial para todos). Daniel veio a falecer neste último domingo (06/07), após saltar de uma ponte para tomar banho de rio. Ele era um ícone aqui no nordeste pois além da responsabilidade que ele fazia questão de puxar pra si, ele simpatizava e transmitia felicidade a todos desde o primeiro contato. Não consigo encontrar uma só pessoa que o tenha conhecido e que não lamente profundamente sua ida prematura.

Porém, esse cara nos deixa ainda uma última lição.

Acredito que como eu, muitos estão indignados com a forma como sua morte tem sido anunciada. Daniel foi vítima de uma fatalidade em circunstâncias que ainda não estão muito esclarecidas. As poucas informações dão conta de que ele apenas queria tomar banho e saltou no rio para se refrescar. Ele pode ter caído numa pedra, num banco de areia, pode ter tido uma câimbra ou qualquer outra situação infeliz que o levou ao óbito. Ele era um bom nadador. Um cara esportista que sempre cuidou do corpo e que isso se refletia em sua movimentação e no seu condicionamento físico.

Mas acontece que ele também praticava Parkour. Ele era um dos nossos. E infelizmente isso mostra o quanto nossa atividade é ainda frágil e suscetível as más bocas e julgamentos maldosos. Como se não bastasse a língua ferina dos jornalistas que teimam em dizer que Daniel faleceu praticando o “le parkour” e que tentam usar isso para provar que ele era uma pessoa irresponsável, existe até mesmo praticantes que estão reproduzindo o caso de Daniel como um ato de negligência dentro da prática.

Acredito que esta mais do que claro que a circunstância da morte dele não tem nada a ver com o Parkour. Com esses comentários, inclusive, essas pessoas estão prestando uma crítica severa a uma pessoa que não esta aqui para se defender. Isso é um desrespeito enorme e ele não merece isso. Tenho certeza absoluta que, previdente e centrado do jeito que era, Daniel ficaria extremamente puto e triste em ver que pessoas sem escrúpulos usam o fato da morte dele para destruir o trabalho que ele mesmo ajudava a construir: o de um Parkour bem divulgado e acessível a todos.

Aprendam com ele a amar o que fazem, a se dedicar a isso e a viver intensamente e com felicidade os dias que restam.

E, para os tracers, o alerta: Prezem 24 horas por dia por sua segurança e sejam responsáveis dos seus atos em cada movimentação que executarem. Nossa atividade é fundamentada no autoconhecimento e no instinto de preservação, mas o mundo não sabe disso! Quem sabe somos nós! A morte de Daniel não teve nada a ver com a prática e ainda assim um monte de lama esta sendo jogada em cima dele e do que ele amava. Imagina se realmente tivesse acontecido em um treino?

Um abraço pra esse gigante!

DCM nota de falecimento