Essa semana rolou o primeiro hangout do “Parkour Acadêmico“, um grupo focado em estudar o Parkour de forma mais cientifica. Como o trabalho do DCM é produzir e espalhar bom conteúdo, estou disponibilizando aqui de forma mais mastigada um resumo do trabalho e os principais pontos que foram debatidos.

Artigo: GROUND REACTION FORCES AND LOADING RATES ASSOCIATED WITH PARKOUR AND TRADITIONAL DROP LANDING TECHNIQUES – FORÇA DE REAÇÃO DO SOLO E TAXAS DE CARREGAMENTO ASSOCIADAS AS TÉCNICAS DE ATERRISSAGEM DO PARKOUR E ATERRISSAGEM TRADICIONAL.

Disponível em: http://www.jssm.org/vol12/n1/17/v12n1-17pdf.pdf

—————————————————————————-

INTRODUÇÃO:

O artigo tem basicamente o objetivo de mostrar que as duas técnicas do Parkour que foram analisadas geram menos impactos no corpo do que técnica de amortecimento tradicional de outras atividades. Com um impacto sendo distribuído de forma melhor diminui também a possibilidade de se gerar uma lesão.

 As três técnicas analisadas foram:

Amortecimento da Precisão: Caindo nas pontas dos pés (almofada dos pés) e sem tocar o calcanhar no chão.

Rolamento: Onde após executar o amortecimento na ponta do pé o praticante executa um rolamento em direção a corrida.

 

Aterrissagem tradicional: Chegando no solo com as pontas dos pés e firmando o calcanhar em seguida.

METODOLOGIA:

Basicamente ele pegou 10 praticantes de Parkour, homens, e pediu para que depois de um aquecimento eles executassem as 3 técnicas em cima de uma plataforma de força (que iria medir as forças no momento do impacto). Todos os praticantes tinham mais de 2 anos de treino e não apresentavam lesões nas pernas.

RESULTADOS

I – Ele conseguiu provar que o impacto vertical gerado pelas duas técnicas do Parkour eram menores do que o do amortecimento das outras atividades. Com isso, agora temos evidências científica que mostre que o Parkour trabalha suas aterrissagens para serem o menos lesivo possível.

II – Ele conseguiu provar que as duas técnicas do Parkour retardam a absorção do impacto tempo suficiente para que o praticante consiga preparar seu corpo para receber o tranco. No amortecimento tradicional o impacto atinge tão rápido o corpo que não dá tempo de ativar corretamente os músculos que irão proteger suas articulações.

III – Ele não conseguiu dados que mostrem diferenças muito acentuadas entre as duas técnicas do Parkour.

DISCUSSÃO:

O artigo tem algumas limitações. Por exemplo, no teste os praticantes não saltavam da plataforma. Eles apenas desciam pro chão e a altura era muito baixa (0,75 m). Como no Parkour estamos acostumados a saltar (e não simplesmente deixar cair) os resultados que ele encontrou podem não se repetir quando as técnicas forem aplicadas na vida real.

O rolamento no Parkour é usado, principalmente, quando o salto é de um lugar alto. Como o rolamento joga a velocidade da queda para frente, então ele com certeza dissipa melhor o impacto (embora ele projete o impacto para outras articulações). Então, possivelmente, se o salto for feito de lugares mais altos, o rolamento provavelmente vai apresentar vantagem em cima do amortecimento da precisão.

Os praticantes de Parkour é que executavam todos os 3 tipos de aterrissagens. O problema é que praticante de Parkour tem total aversão a amortecer com o calcanhar no chão. Então isso pode ter infectado a técnica deles e com isso o teste pode ter sofrido. Seria melhor ter usado 2 grupos, um de tracers e outro não, pois assim ele controlaria melhor os resultados para não haver auto-sabotagem.

 —————————————————

Acredito que consegui resumir bastante o artigo e dar a vocês as informações principais. Caso tenha interesse de acompanhar a discussão completa sobre ele, o vídeo encontra-se disponível logo abaixo.

Até o próximo.